Awòn Òrìsà:

Existem várias teorias sobre este tema, mas uma que nos chama atenção é a apresentada pelo professor e doutor em antropologia o senhor Ìdòwú, que escreveu em 1977 o seguinte:

Olódùnmarè designa o Òrìsà para vir ao mundo juntamente com Òrúnmìlà, passado algum tempo o Òrìsà sentiu a necessidade de possuir um escravo, dirigindo-se assim ao mercado de Èmùrè, chegando ao mercado ele adquiriu Àtowódá. De comportamento eficaz, prestativo e eficiente logo conquistou a confiança de seu senhor. No terceiro dia de sua jornada, pediu que Òrìsà lhe concedesse uma pequena parte de terra para seu cultivo próprio, Òrìsà pensou e acabou atendendo ao pedido de seu fiel escravo, concedeu a ele um pedaço de terra na costa da montanha próximo a sua casa. Em apenas dois dias ele limpou o lugar, construiu sua moradia deixando seu senhor impressionado. O que o Òrìsà não sabia é que não havia bondade no coração de Àtowódá e sim estava crescendo nele um forte desejo de eliminar seu senhor.

Àtowódá então com a intenção de realizar suas intenções em aniquilar seu senhor o Òrìsà começa a planejar qual a melhor forma para realizar seu plano.

Havia em torno da fazenda, várias partes com Rochedos, podendo assim facilmente que uma pedra gigante rolasse sobre Òrìsà.  Assim Àtowódá arquitetou seu plano, subiu em uma montanha, escolheu uma pedra que pudesse ser de fácil deslize e preparou tudo. Entre uma ou duas da manhã, Òrìsà encaminha-se para fazenda e Àtowódá já o estava a espreita,  confiante de seu plano dar certo pois Òrìsà vestia-se de roupas brancas destacando-se facilmente entre os arbustos verdes, sendo assim, Àtowódá aguardou o momento oportuno e empurrou a pedra montanha abaixo.

Òrìsà surpreso e apavorado não teve chance de escapar sendo atingido pela pedra e seu corpo espalhou-se em vários pedaços. Òrúnmìlà tendo conhecimento do ocorrido corre até o local, junta todos os pedaços em uma cabaça e faz uso de uma mágica poção revivendo assim não só Òrìsà, mas vários outros Òrìsà espalhando os por toda Nigéria. Por isso a expressão (Ohun ti a ri sà) aquele que foi encontrado e agrupado novamente.

Outra teoria é que a palavra Òrìsà descende da expressão òrísé ou orí’asé, ou seja, origem ou fonte do orí de um ser supremo. Afirmando assim a participação dos òrìsà na criação humana e sua presença divina em cada ser humano. Para nossa compreensão esta teoria refere-se a fusão de orí com os princípios da natureza e o Òrìsà como sustentação da vida, uma compreensão perfeita e precisa do que seja o Òrìsà seja fonte da mente racional dada a sua natureza e complexidade.

Entre os primordiais da existência incluem-se Obàtálá ou Òrìsànlá, popularmente conhecido como Osálá, modelador de corpos humanos, Òrúnmìlà, Èsù, Ògún, Sàngó também conhecido como Jàkúta.

Existem milhares de seres espirituais associados a montanhas, lagos, rios, mares, rochas, cavernas, árvores, florestas e montes que se manifestam como fenômenos e forças naturais. Para cada Òrìsà existe um atributo, uma particularidade e uma característica própria. Exemplo:

Èsù, responsável pela ordem, disciplina, organização, ao comportamento humano, atua também como regulador da ordem universal.

Ògún representa a divisão do trabalho, a transformação, o desenvolvimento, a agricultura e a guerra, assim como todas as batalhas que enfrentamos em nosso dia a dia.

Cada orìsà uma ritualística própria, alimentos, cores, roupas, símbolos, cantos, ritmos musicais, cantos, toques e ewò que são as proibições alimentares ou de condutas entre outras. Seus nomes são descritivos, ou seja, traz uma informação sobre sua atuação divina, por exemplo, Jàkúta que significa aquele que rompe a pedra ou ainda que rompe utilizando pedras, a divindade dos raios e trovoes.

Olokùn que significa senhor (a) do mar;

Sòpònná, aquele que diagnostica e cura todas as doenças, principalmente aquelas atribuídas a pele.

Agora no que se refere à quantidade de òrìsà estabelecidas ou catalogadas no panteão Yorùbá variam-se entre 201 a 1.700 divindades. Para poder afirmar, só o estudo aprofundado a cada um destes poderia nos trazer o conhecimento necessário aos seus distintos cultos, mas para mim o que importa é saber o que é òrìsà, assim suas características e essência.

Em termos de hierarquias cada Òrìsà se torna líder de sua região de domínio, assim como Òsùn em Òsogbo, Sàngó em Oyo, Òrúnmìlà em Ifè, Erinlé em Ilobu. É obvil que a questão histórica determina as popularidades de cada òrìsà assim como sua liderança.

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Ìyámi Òsòròngà:

Essência genitora feminina ou poder genitor feminino, por tanto é preciso dizer que os ancestrais femininos estão interligados assim como suas sociedades Ìyágbà, Egbé Gèlèdè, Ìyámi Òsòròngà, Egbé Ògbóni, Egbé Eleye, são de ordem secreta tendo seus conhecimentos e ritos ensinados apenas para iniciados.

O culto as grandes mães esta representado tanto no aspecto generoso e protetor quanto perigoso e destrutivo, assim todos os òrìsà de natureza feminina contem estes aspectos. São guardiãs dos destinos e da existência, da vida e da sociedade.

As Ìyámi Òsòròngà são consideradas por muitos estudiosos como Ajogún, cuja função é carregar ebo para se alimentar dele. Claro que estamos falando em uma linguagem figurada, pois elas alimentam-se do sofrimento humano. É neste ponto que ocorre seu primeiro segredo. Pois ao se alimentar elas também proporcionam alívio ao ser humano, absorvendo a energia do ebo transformam essa energia em cura, prosperidade, superação e atração da boa sorte.

Sua relação com os poderes noturnos e mágicos permitem neutralizar toda negatividade de palavras, pensamentos, ou ações destrutivas que uma pessoa possa desejar a outra ou contra si mesmo. Assim sendo nossas mães guardiãs das oferendas, protegem e encaminham a seu destino, para que o ser humano possa obter força e o que necessita para superar suas iniquidades.

Embora muitos afirmarem que este culto é apenas feminino existe a presença masculina na função de Òsó (bruxo ou feiticeiro). Homens que desenvolvem poderes e força mágica, as mulheres lhes são atribuídas poderes de manipular o destino humano através de rituais e consagrações.

Podemos classificar as Ìyámi Òsòròngà da seguinte forma:

Àjé: sábias, feiticeiras, bruxas de grande poder existentes na terra podendo atuar tanto no bem quanto para o mal.

Agbà: as anciãs detentoras de toda sabedoria.

Àwon Ìyámi: nossas mães, zeladoras do ase

Aiye: representa o tempo, o universo, a própria existência humana, possuem poderes em todos esses ambitos.

Ìyámi Òsòròngà pode assumir várias formas, através de seu poder mágico elas podem curar, intervir na saúde psíquica e física, manipular os seres humanos, no trabalho, casamento, no sexo e nas amizades. Protegem das infertilidades, da má circulação sanguínea, dos órgãos vitais e vísceras. Atraem sorte e prosperidade, favorecem as atividades comerciais assim quanto às conquistas materiais, promovem mudanças no plano emocional. Vejamos que não se trata de algo perverso e maldoso, maligno como muitos afirmam. A ignorância humana é quem destorce e repete através do vício do ouviu falar, histórias das bruxas europeias, uma versão cristã de bruxaria que não cabe na cultura Yorùbá. É preciso esclarecer que a questão de bem e mal é relativa, no qual estabelece uma interpretação individual, ou seja, depende muito do desejo e do modelo de interpretação do que realmente são o bem e o mal. Transformando assim o livre arbítrio uma peça fundamental para a compreensão deste tema.

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Egúngún

Egúngún:

Termo usado para identificar a essência masculina, origem e descendência muito reverenciado no Ìsèsè l’àgbá (culto tradicional Yorùbá), assim como no Brasil e em Cuba, o seu culto esta ligado a uma estrutura de sociedade. É certo afirmar que o culto dos egúngún refere-se a gestão humana que definem a linhagem dos indivíduos referente a cada estrutura social. Representando valores, força, estrutura de determinados grupos familiares, equilibrando assim as relações étnicas, sociais, a disciplina moral e cultural de sua linhagem.

Os Ancestrais masculinos possuem uma sociedade denominada Egbé Egúngún, Egbé Ìgùnnukó, Egbé Òro e a Egbé Agemo, dependendo da região ou linhagem familiar. Já os ancestrais femininos são agrupados nas Ìyágbà (Iabás) no popular, Ìyágbà significa mãe ancestral ou mãe venerável anciã, possuem também sua sociedade chamada de Egbé Gèlèdè, onde seu culto é mais amplo e específico.

Dentro de toda Egbé Òrìsà inclui a devoção diária aos ancestrais e de tempo em tempo são realizados òsè egúngún, obrigações anuais, individuais ou coletivas que chamamos de odún. As obrigações coletivas destinam-se aos cuidados do espaço sagrado, limpar, ofertar água e obì, orogbó, efetuar a limpeza dos awé (pote consagrado) e aos preparos das oferendas. Onde se compartilham alimentos, dançam, cantam em louvores aos ancestrais. As datas a se realizar estes eventos são anunciadas através da consulta a ifá, é ele quem determina o dia e o que será ofertado.

Egúngún tem como função estabelecer a harmonia, renovar as energias coletivas ou individuais, resolver questões de ameaças e desagregação do grupo ou indivíduo, eliminar as disputas entre seus discípulos e dar proteção contra as magias e maldades alheias, além de reparar uma herança espiritual biológica ou emocional, ou seja, uma dívida espiritual com os ancestrais que trás sofrimento e tristeza para quem desconhece esta circunstância.

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Òrúnmìlà

Seu nome demonstra sua beleza e importância formada pela contração de órun-l’ó- mo-à-ti-là, que significa somente o céu conhece o caminho da libertação ou òrun-moo, somente o céu pode libertar. A palavra Ifá por sua vez contem Fa que significa acumular, abraçar, conter, demonstrando que todo conhecimento do Ìsèsè l’agbá, culto tradicional Yorùbá esta contido no corpus literário de Ifá.

Igualmente em outra demonstração de sua grandiosidade encontramos em um dos oíkì de Òrúnmìlà que diz:

Òkìtìbìrí a pa ojó ikú dà

O grande transformador que altera a data da morte.

Elérí ìpín

A testemunha que orienta e defende o destino do ser humano.

É Òrúnmìlà quem presencia o nascimento de todos os seres no momento em que o destino de cada um é selado, somente ele é conhecedor do ìpín orí (destino pessoal), podendo assim orientar com exatidão quem o procura. Por isso é de fundamental importância a consulta a Òrúnmìlà-Ifá sempre que  tivermos dúvidas a fundação de ideias, antes de construir, assinar contratos, resolução e evitar conflitos e guerras, casamentos e nascimentos entre outros.

Òrúnmìlà e Èsù exerce um elo de amizade e lealdade assim descrito por vários Odù de Ifá como em Èjìogbé e Ogbé Ìrètè. Em alguns Odù  fazem referencia à qualidade  da paciência de Òrúnmìlà em contraposição ao poder de Èsù. Vamos ver um trecho que demonstra esta dinamica entre eles:

Òótó balè ó l’ómi, Ìkà balè ó di yangi, o dífá fún Èsù Odàrà ó nlo si ogun Àjàlé Erémi.

A verdade caiu no chão e virou água, o maldoso caiu no chão e virou yangi, foi quem consultou para Èsù Odàrà no dia que ele partiria para guerra em Àjàlé Erémi.

Ao saberem do conflito estabelecido em Àjàlé Erémi Èsù e Òrúnmìlà foram participar, com tudo planejado saíram dizendo que fariam coisas mirabolantes e inesquecíveis, vangloriando-se cada vez mais até causar ódio em seus opositores. Na guerra lutaram e venceram, conquistaram muitos escravos e propriedades, quando ao retornarem pararam para descansar. Pediram ao chefe de um vilarejo autorização para repousarem ali, durante a noite Èsù convidou Òrúnmìlà para fazer uma demonstração de seu poder. Òrúnmìlà disse para ele não se esquecer do que ele afirmara antes: “que faria algo inesquecível a vista de qualquer homem que presenciasse”. Então Èsù o desafiou a demonstrar seu poder, e assim ver se seria maior do que o dele.

Ao amanhecer Èsù antes de partir entrou no galinheiro, pegou um galo sem a permissão do dono, arrancou-lhe a cabeça e a colocou no bolso, chamou Òrúnmìlà e partiram. Assim que o dono da fazenda levantou percebeu o que havia acontecido e começou a gritar “pega ladrão”, pega quem matou meu galo. Um dos funcionários disse-lhe que quem tinha feito isso fora os seus hóspedes e que os viu partindo logo pela manhã. O fazendeiro então juntou seus homens e foram atrás de Èsù e Òrúnmìlà. Quando Èsù percebeu a aproximação dos que os perseguiam, consciente do que havia feito disse a Òrúnmìlà: “Olhe para trás e veja a multidão furiosa que estão vindo”. Òrúnmìlà ficou assustado e perguntou a Èsù o porquê ele havia matado o galo dos outros, Òrúnmìlà disse também que ele terá que pagar pelo mal feito. Èsù então lhe respondeu: “Você esta enganado, será você quem sofrerá as consequências pelo que eu fiz”. Òrúnmìlà disse: “A terra não morre, pode apenas se tornar estéril, sendo assim eu também não morrerei”.

Ao perceberem que estavam sendo alcançados e que não tinha mais por onde fugir subiram em uma arvore, o fazendeiro e seu funcionários disseram-lhes que estavam cercados, outros correram em busca de um machado para derrubar a arvore. Èsù então diz a Òrúnmìlà que é chegada a hora de demonstrar seu poder: que havia combinado de fazerem algo extraordinário e ninguém iria apanha-lo. Assim Òrúnmìlà disse o mesmo reafirmando assim sua superioridade.

Sendo assim quando a arvore estava sendo derrubada, Èsù disse a Òrúnmìlà que preparasse para queda, ao caírem Òrúnmìlà se transformou em água e Èsù em yangi. Assim não encontraram nenhum dos dois. Aos que beberam da água se acalmaram e os que viram yangi ficaram furiosos com olhar aterrorizante.

Esta história retrata a qualidade calma deste Òrìsà funfun em contra partida ao grande poder de Èsù.

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Conceito de Virtude para um awo.

A ética e a moral certamente esta ligada a este tema, entre valores de conduta por exemplo. Bem diferenciado do código de conduta judaica, cristã ou islâmica, o código de valores éticos e morais do povo Yorùbá é bastante distinto.

Este fato é perfeitamente diferenciado pela percepção que se dá dês da chegada de um Yorùbá por um tratamento satisfatório e não por teoria de tolerância educacional assim como visto na educação ocidental.

Valores destacados como devoção, responsabilidades, lealdade, honestidade nas intenções e nos deveres entre a compreensão de seus objetivos.

É neste sentido que encontramos o significado da palavra iteríba, respeito entre todos e em geral, especialmente entre os mais velhos.

Temos muitos brasileiros (as) que se dizem filhos (as) do òrìsà, mais sem uma vírgula de conduta para tal.

Para que este seguimento se concretize o iniciado no Ifá/òrìsà teria que se comportar adequadamente, ou seja:

Responsabilidade e devoção antes do dever;

Honestidade na vida pública e privada;

Supremacia dos mais velhos entre os mais novos;

Jovens de sabedoria se enquadram ao conceito do mais velho, ou seja, aquele que sabe mais é considerado igualmente ao mais velho. (é obvil que um ancião sempre terá seu lugar em destaque).

O respeito ao ancião e igualmente a sua ancestralidade nos remete ao entendimento de Ifá no que se diz em sua vinda para este mundo, seja por ordem de chegada assim como seu tempo e permanência. Isso se dá ao respeito a sua experiência de vida que possibilita adquirir o que chamamos de ogbón, sabedoria, podendo assim orientar e educar os mais novos.

É neste contexto que o culto dos ancestrais nos demonstra sua importância e reverencia entre os que já se foram com aqueles que ainda estão completando sua jornada.

As raízes constituídas entre os que já partiram e os que permanecem são de sumo importância, a mais sagrada demonstração de reverencia e respeito a sabedoria ancestral. O respeito ancestral nos remete ao conforto de uma vida saudável e feliz.

Existe um ditado Yorùbá que diz: “Uma arvore solitária não forma uma floresta”.

Para um bom entendedor esta frase significa que um indivíduo não existe sem um grupo, e um grupo só poderá existir por indivíduos. Porém neste caso o ensinamento corresponde em paciência e tolerância, assim como outras virtudes.

Não podemos deixar de afirmar que este comportamento educacional esta restritamente relacionada ao corpus literário de Ifá, dispensando assim outros dogmas ou doutrinas espirituais.

No campo profissional requer esforço e objetividade, assim igualmente interligada ao bom pensamento que resultará em ações, tanto no trabalho quanto ao impreendorismo.

Para isso basta compreender uma parábola de Ifa que diz:

Eni maa je eyin orí àpàtà, ki nwo enu àké.

A quem desejar comer o ovo da ave de rapina, não pode medir esforços para alcançá-lo.

As conquistas da vida decorrem da associação das metas estabelecidas e os esforços insistentemente para alcançá-los. O sucesso independe de sorte, mas sim de esforço contínuo interligado a estratégia e sabedoria.

Seus Objetivos dependem de disciplina, persistência e esforço.

Toda e qualquer rito iniciático só terá resultado satisfatório quando o indivíduo adéqua suas ações na complexa dinâmica do universo. Colocando-se em sintonia as diversas manifestações universais os ritos de ebo, etutu, assim entre outros iram favorecer o indivíduo contra a inércia, criando assim um impulso, conduzido pelo potencial de seu orí estabelecendo assim o caminho da vitória.

Um ponto importante a mencionar para um caminho de sucesso e vitória na cultura Yorùbá é o da lealdade e da fidelidade.

Vejamos algumas palavras usadas nas parábolas de Ifá que corresponda com o que estamos lendo:

Daàìtàn:

Podemos traduzir como sinceridade, lealdade, franqueza e simplicidade.

Àìsèrú:

Honestidade, lealdade, sinceridade.

Àìsì:

Exatidão, evitar o erro, autocorreção.

Àìsìyèméjì:

Certeza, convicção, unicidade.

Àìsó:

Firmeza, justo, incorruptível.

Àìsògo:

À quem busca a glória divina.

Àìsojúsájú:

Imparcialidade, honestidade, lealdade.

Òdodo:

Fidelidade, ser leal.

Olótó:

Honesto, verdadeiro.

Òré iyóré:

Amigo verdadeiro.

Àtinúwá:

Cordial, sincero e leal.

Otó /òóto:

Verdade

Sòtó/sòtító:

Fiel e verdadeiro.

Apenas coloquei estas palavras e seus significados para demonstrar que só conseguimos atingir nossos objetivos com controle consciente do pensamento, da fala, das atitudes e comportamentos assim como da conduta. Na vida de um praticante de Ifá/òrìsà nada se transforma se não for pela conduta, empenho e vigilância contínua.

A negação a boa conduta ou ao esforço para mesma é indicativa de advérbio de negação (lái),cujo significado é não.

Àláibèrè usado para o não iniciado ou àláibèrù olórun, para o descrente, incrédulo, ímpio.

Láilotó: infiel, desleal, enganador.

Àláisótó: desonesto, mentiroso.

Sàìsòtó: falso

Idàlè: traição

Àbòsí: decepção, desilusão.

Nestas ultimas palavras, refere-se àquele que conhece a verdade, mas prefere se calar e deixar que a injustiça ocorra fazendo vista grossa.

Por todo corpus literário de Ifá podemos encontrar a discrição da importância à lealdade e da fidelidade.

Ser fiel e leal é imprescindível, nas sociedades de tradição Ifá/òrisà, para a sobrevivência do individuo ao grupo e na história.

Entende-se como confiáveis pessoas que em seu convívio demonstram responsabilidade social e espiritual, não deixando margem a dúvidas e incertezas.

Respeite sua própria palavra, se não tem certeza de que estará disposto a cumprir com o que diz, então não diga! Palavra sem valor, sociedade sem futuro.

Quem fala de mais:

Uma doença para sociedade a tagalerice não exerce críticas sobre o que verbaliza, fala de tudo e de todos, não guarda segredos e adora histórias mirabolantes de preferência sobre a vida dos outros. Para aquele que fala de mais o tagarela ou fofoqueiro estará sempre atraindo para si próprio a ira de orí, por suas múltiplas formas, está ligada a difamação, bisbilhotice e a maledicência. Caracterizando irresponsabilidade e falta de compromisso com a vida, pois o bom uso da palavra demanda consciência e respeito a sua natureza e função. A fala deve ser funcional, com finalidade especifica, caso aja um desagrado por alguém este deve ser debatido exclusivamente com seu degrado.  A pessoa humana denominada verborrágica, ou seja, boca aberta, que não reflete antes de falar, ignora as condições de sua vítima em sobreviver ao seu bombardeio de palavras. O tagalera é egocêntrico, que não consegue observar o que esta em sua volta assim como aqueles que o interagem, age por sua ansiedade irresponsável em maldizer.

O falador é chamado de oníwórowòro, literalmente aquele que não sabe se conduzir sozinho assim como um cavalo.

A fofoca é praticada por indivíduos incapazes da fidelidade. Chamado de Olófòófó, o fofoqueiro, òfófó fofoca, sòfófó mentiroso e fofoqueiro. Este ato ou pratica é muito vergonhosa e desprezível dentro da cultura do Ifá/òrisà passiva de exclusão do grupo com punição de acordo ao agravo.

São vistos como ladrões da virtude alheia, assim chamado de agbódegbà, que significam fofoqueiro e ladrão, que sugere uma ação de furto do direito à privacidade, relacionado ao ato de fofocar. Elélìní denota o fofoqueiro difamador e caluniador, fenubà é o termo usado para aquele se sente prazer em difamar e caluniar os outros.

Todos esses comportamentos são expressões da fala depreciativa, assim como, calúnia, difamação, xingamentos, maledicência e fofoca, Isata é o ato em se criticar pessoas ou situações, ligado a inveja/ilara. As criticas ocorrem por certo incomodo provocado pelo brilho ou sucesso alheio.

Compreendendo estas ocorrências e prática ruim deve citar também:

Ebú: Maledicência, abuso, insulto,

Ìgbàdùlúmo: Calúnia, difamação,

Èpè: Maldição, blasfêmia ou praga.

Todas essas condições são tratadas de maneira radical no culto Ifá/òrisà, todos iniciados passam pelo ritual de ibúra, arabíbú e Ìmulè, que é um pacto e juramento, a não se utilizar desta prática ruim, assegurado a punição com a perda da vida assim como algo que lhes seja vital. Este ritual é direcionado especificamente as Ìyàmi Òsòròngà, pois literalmente esta palavra tem como significado o seguinte:

– Enquanto você existir transitará sobre a terra e não há forma alguma de quebrar o pacto (com a terra) sem ser penalizado.

Expressando a real importância à fidelidade, lealdade e ao uso leal da palavra assim como seu comportamento.

Surù/paciência a virtude para o triunfo

Os Yorùbá atribuem à surù (paciência) o principio primordial de toda benevolência. Podemos compreender esta tese com estudo aprofundado no Odù Ogbé Ogundá.

Um breve relato:

Eledunmare pai de Igún a fim de expressar sua gratidão a, por ter salvado a vida de seu filho, pede para ele escolher um dentre os quatros dons, fertilidade, longevidade, prosperidade e paciência.

Òrúnmìlà busca auxílio às pessoas de sua confiança e acata o conselho de Èsù que sugere que ele escolha a paciência. Assim Òrúnmìlà retornou ao Òrun para devolver á Eledunmare os outros dons restantes, Igún constata que a prosperidade, fertilidade e a longevidade retornaram para associar-se a paciência, pois quem tiver a paciência terá longevidade, fertilidade e prosperidade, procriará e viverá bem com o que procriar. Terá prosperidade.

Ser paciente demanda no domínio sobre o tempo e controlar os movimentos, que sempre se realiza num continuum temporal. Exige um comportamento pacífico e harmonioso com ìgbà (tempo), como Olojó, o senhor do dia e do tempo. A paciência esta diretamente ligada a serenidade, sensatez, ordem, disciplina e organização, sendo por este motivo que Èsù, o òrìsà da ordem, da disciplina e da organização recomenda a todos a prática desta grandiosa virtude para o êxito de nossas vidas.

Por isso o exercício do bem, da generosidade, da paciência, da paz, do bom senso, da lealdade, da fidelidade, da disciplina e da mansidão é fundamental para todos os iniciados em Ifá/òrisà.

Vemos este ensinamento descrito em um provérbio Yorùbá que diz:

Igbá olóore kì n fó

Àwo olóore kì n fàya

Towó, tomo, ní n ya ilé olóore

A cabeça do benevolente não quebra,

O prato do benevolente não trinca,

Dinheiro, filhos e saúde,

Fluem na vida do benevolente.

A gratidão:

Assim como descrito no Odù Ìretè Ogbè, a gratidão é uma grande virtude a ser praticada entre os discípulos de Ifá/òrisà, estimulada por uma benção, benfeitoria ou algo de bom que alguém nos proporcionou é denominado ore já o ingrato denomina-se aláìmore. Retribuir é sempre necessário porque as expressões de gratidão fortalece o dom e restaura a força como, por exemplo, se uma pessoa recebe ajuda de um amigo e não retribui, ou ainda, na primeira oportunidade magoa este amigo, essa atitude ira ofender o orì deste amigo.

Isso com toda certeza atrairia ajè para vida do ingrato, enviados pela vingança do orì de um bem feitor.

Há um ditado que diz: Aquele que agradece a graça recebida receberá novas graças. Quando uma pessoa não agradece o bem recebido o universo entende que não precisava dele.

A ingratidão é expressa pelos vocabulários, áìdúpé, àìsopé e àje.

Àjesé sujere aquele gospe no prato que comeu, ou come e nega que comeu, ou seja, não reconhece ou simplesmente ignora o bem recebido.

Vejamos as variadas maneiras que o idioma Yorùbá se utiliza para retratar o ingrato ou mal agradecido:

Áìdúpé, àìsopé, aláìdúpé, aláìmore, alájesé, jègúnmóyán, kòmora, láìlópé.

Entre tantos outros. Isso ocorre porque no Yorùbá é muito mais importante ser grato e assim expressar essa gratidão do que se atrair a ira do outro orì.

A justiça:

Descrita no Odù Ògúnda Òtúra, é um convite à reflexão sobre esta virtude, cuja sua prática requer discernimento, liderança e sensatez, agir com imparcialidade no ato de se julgar.

Vejamos o que diz o primeiro verso deste Odù:

Se o filho do rei nasce dentuço, não pode pegar os lábios de um escravo para cobrir seus dentes. “O que se entende como justo”?

Não podemos tomar atitudes precipitadas, pois serão muitas as prerrogativas do filho do rei ao longo da narrativa.

O que seria justo? Servir-se da mesma norma para todos?

Reservar a cada um a sua parte? Ou o seu lugar e a sua função, preservando assim a harmonia hierárquica do conjunto?

Seria justo dar a todos as mesmas coisas? Sabendo que serão distintas as necessidades e os méritos. De contra partida seria correto exigir a todos as mesmas coisas, estando cientes as distintas diferentes capacidades e encargos. Apresento assim, este dilema em se manter a igualdade entre os seres humanos desiguais.

A lei justa ou injusta é a lei.

Lei e justiça enquanto valores e virtudes são coisas distintas e diferentes entre si, justo é o combate e justa é a desobediência que combate uma injustiça.

Assim é Èsù que nos relata neste mesmo Odù a situação em que a escassez de líderes justos e competentes determina o desrespeito as leis pré-estabelecidas. Além do ideal de justiça encontramos a nobreza da compaixão.

A compaixão também esta relacionada por diversos contextos religiosos assim como por muitos Odù. Ter compaixão é se compadecer por alguém, ter simpatia é compartilhar os seus sentimentos.

A quem sente a dor e aflição alheia assim compartilha sua dor também é ter compaixão. A benevolência deste generoso gesto denomina-se Alanú, o benevolente, o chamamos de oníyó.

Compaixão, generosidade, piedade denominam-se Anú, Ìrónú anú, Inútíté, kíkanú, Kanú.

Simpatizar-se, colocar-se no lugar do outro é Fiwéra. Outro termo muito usado é bádárò, que além de compreender a dor do outro e compadecer-se, também indica a solidariedade para com o outro.

Para ouvir o outro é preciso antes ouvir a si mesmo.

Todos nós temos nossos pontos frágeis, temos algo dentro de si que possa trincar, como se fosse um cristal, e o que mais desejamos ao trincar este cristal é que alguém nos ouça e que se compadeça, que compreenda e que tenha compaixão por nós.

O adjetivo Lanú, refere-se a pessoa compassiva e clemente, podendo encontrar também no vocabulário tunú, ro e niyópara o meigo, o terno.

Na falta destas virtudes encontramos no vocabulário Yorùbá palavras como:

Àìlajò, Àìlànìyàn, sem compaixão, antipatia.

Aláìjò, sem solidariedade, sem zelo.

O Perdão:

O descontentamento por uma atitude arredia, de razão subjetiva ou objetiva pode levar uma pessoa ofendida por outra a praticar a maledicência e rituais de magias e pragas em seu desejo de vingança. Neste sentido usa-se a palavra Abilú, enquanto o ato de se perdoar denomina-se Foríjì.

O Perdão é a chave para a liberdade assim como descrito na totalidade da palavra Ìdáríjì, que possui o sentido de libertar, perdoar, remir e absolver. O ato de perdoar esta diretamente interlaçado não só no âmbito social, mas também no espiritual de trocas energéticas. É neste sentido que devemos compreender que, a ofensa, o agravo, a agressão estabelece um elo entre o ofensor e o ofendido, aprisionando suas orì em um infeliz vínculo de sofrimento para ambos. Onde o único caminho para libertação deste sofrimento é o perdão.

O perdão liberta tanto a orì do ofensor quanto o do ofendido. A visão Yorùbá nos ensina que uma pessoa que ofende a outra será castigada pela orì do ofendido ou prejudicado, que inverte a direção energética causadora de punição. O agredido passa para condição de agressor mesmo involuntariamente, pois sua orì, que sua divindade pessoal, assumira a sua defesa e reagirá a agressão recebida. Estabelecendo assim um círculo vicioso de sucessivas agressões que somente poderá ter um fim com um pedido de perdão assim como sua concessão.

Como vimos perdoar esta além do esquecer um desafeto ou ocorrência desagradável, mas sim remover toda culpa atribuído ao ofensor.

O sentido de se pedir perdão no Yorùbá é Toro ìdáríjì.

Pode ocorrer que a magoa seja tão profunda incapaz de se perdoar, neste caso a maior punição será para o ofensor, que estará a deriva do ódio do ofendido. E assim neste sentido as punições serão tão graves quanto severas enviadas pela orì do prejudicado. Assim como diz um provérbio Yorùbá:

Orí mi a mú e

Meu orì vai te pegar.

Quando um sacerdote fica magoado, não pode ser responsabilizado pelo mal que ocorrerá a quem o provoca. Quando um sacerdote é magoado por alguém, sua força mágica briga por ele.

Independentemente das decisões tomadas, sua orì agirá penalizando ou abençoando aqueles que causam magoas ou alegrias. A ação de sua orì pode contrariar inclusive seu desejo consciente, ou seja, o sacerdote pode perdoar seu ofensor enquanto sua orì opta por castigar. A orì conhece cada fato e age em defesa de seu devoto.

O benevolente, aquele que consegue ou que é capaz de perdoar ganha-se o adjetivo Afèsèjinni.

Dáríjì também se traduz perdão, ou seja, conceder perdão ao orí de alguém.

O ato de perdoar implica em uma relação entre os ori, em que um determinado ori concede o perdão ao outro.

É evidente que é preciso um esforço enorme para perdoar uma ofensa grave, recorrendo assim a nobreza de sua ori e obter assim, a força necessária para perdoar e conviver com as cicatrizes, sabendo se que o perdão não neutraliza os prejuízos causados. Quem pede perdão exerce a prática da humildade, a modéstia, reverencia e a responsabilidade.

Termino este texto demonstrativo sobre as virtudes na visão Yorùbá, chamando a atenção ao fato de estar evidente o desenvolvimento a consciência coletiva deste grupo étnico, no que se diz responsabilidade pessoal pela fidelidade (ou infidelidade) individual ou coletiva. É de nossa responsabilidade o nosso próprio caminho de vida e de nosso dever a busca da melhora. Convencidos de que a vida, tanto a nossa quanto a do outro, pode ser mais harmoniosa, mais feliz, furtando-se à tentadora interpretação de atribuir a causa dos males ao destino, aos òrisà, aos ancestrais, a outras pessoas. A verdade é que o único responsável pelo seu bem estar é você, sou eu, somos nós. O próprio ser humano. Pense sempre nestes ensinamentos e faça de todo esforço para se adequar a esta realidade.

Fagbola Abifarin Odùsolá Odegboala Ojèwale Monteiro.

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Obstáculos e compensação

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Obstáculos e compensação

O conceito Ifa e Ogun

 

O crescimento espiritual é uma jornada. Para começar a jornada, há uma necessidade de uma abertura. A abertura é a porta que aparece quando o dogma que você defende é quebrado por uma experiência que desafia suas noções preconcebidas sobre o eu e o mundo. A porta aparece como resultado da presença universal do Divino Mensageiro (Esu), o que significa que toda interação contém uma mensagem potencial do Orisa. A mensagem do Divino Mensageiro  é sempre mau interpretada. Sempre visto como um trapaceiro que traz o prejuízo,  mais na verdade o traz mais vida do que você pode se possa imaginar. Esta mensagem pode ser extremamente perturbadora e confusa. Para resolver a confusão e voltar à integração e à clareza, pedimos a Osoosi que nos dê uma visão de como assimilar a mensagem de Esu de uma maneira que dê uma grande profundidade e clareza à nossa compreensão de si mesmo e do Mundo. Uma vez que a porta está aberta e você vê onde o caminho está levando, Ifa diz para evocar Ogun para eliminar os obstáculos. É por isso que Esu, Osoosi e Ogun estão agrupados como Ebora. Sua interação é o paradigma no culto de Ifa fundamental para o crescimento. Este paradigma está enraizado na estrutura de Ori e Ori são protegidos por Osun; A fonte do mapa simbólico da consciência através do qual o Ebora viaja. A relação do Ebora é frequentemente incompreendida fora da cultura Yoruba tradicional. Há no Ocidente um equívoco comum de que um Ebora tem uma função para ferir pessoas que o perturbam. Este é um título espiritual baseado em uma noção de que quem tiver com o Ebora mais poderoso ganha. É uma noção infantil de guerreiro espiritual, geralmente enraizada em inseguranças profundas e fomentada por uma mídia uniformizada que associa inconscientemente a espiritualidade africana com a concepção de esconder as pessoas. Além de ser infantil e bobo, não tem base no que Ifa  tradicional ensina. É verdade que podemos ser afetados por pensamentos negativos, mas somente se permitimos que esses pensamentos no gere medo. Se você lê atentamente a literatura religiosa tradicional da África, descobrirá que há uma reverência muito antiga, ampla e cultural para o Orisa do Ferro. Em Yoruba, este Orisa é chamado Ogun, ao norte da Nigéria, às vezes você encontrará o Orisa do ferro chamado Ogun, e outros nomes parecidos. Em toda a África Ocidental, há uma tradição de tornar a profissão de ferreiro uma vocação sagrada. Esta tradição é um desenvolvimento lógico do tempo em que os seres humanos eram dependentes e Buscavam sua sobrevivência. Ogun criou ferramentas e as ferramentas que levam à agricultura e à agricultura levam à estabilidade das cidades e ao desenvolvimento da cultura. Há indícios de que essas habilidades comerciais representam uma interação intercultural que se estende entre o Oriente Médio através da África e do outro lado do oceano para a América do Sul. Estou me referindo à interação que antecede as viagens feitas por Cristóvão Colombo. O exemplo mais claro é a cultura olmeca do que é agora o México. As esculturas desta cultura no México mostram indicações que se basearam na cooperação entre fenícios e africanos ocidentais. A palavra Ogun é difícil de traduzir para o portugues ou mesmo ao inglês, mas temos alguma sugestão da palavra oogun. A letra (O) em Yoruba é usada para indicar o proprietário, ou aquele que possui algo. A letra (O) também é usada para sugerir que alguém ou alguma Força Espiritual dominou uma forma particular de sabedoria. A palavra oogun significa remédio. Então, em certo sentido, a palavra para medicina é oriunda de Ogun. Estou usando a palavra medicina para significar transformação física e espiritual. Podemos olhar para a medicina como algo que ataca a doença, ou como algo que restaura a vitalidade, acredito que é uma tradução razoável. Em certo sentido, você tem Ogun como o sufixo de oogun, sugerindo que é a fonte da medicina ou a fonte de vitalidade. Em minha opinião, isso Nos dá uma indicação de que Ogun é uma referência linguística à vontade de sobreviver. Também poderia sugerir a sobrevivência do que afirma sua própria vontade de se tornar um senhor do mundo. No português não tem uma única palavra que expressa esse ideal de forma clara, mas é um conceito comumente compreendido em Ifa associado ao Orisa Ogun. Há também um elemento de agressão implícito na palavra Ogun. Na Natureza, há competição pelos recursos disponíveis. Para se tornar bem sucedido no processo de sobrevivência, é necessária vitalidade e assertividade. A relação entre antílope e leões na savana estabelece uma dinâmica na qual os leões se certificam de apenas o antílope mais forte sobrevive. Esta é a maneira Natural de orientar a evolução na direção da vitalidade. Se tomarmos esse modelo e vemos como ele se relaciona com o conceito de medicina, podemos ter algum sentido da origem da palavra como princípio metafísico. Sugere o desenvolvimento da consciência como forma de melhorar nossa capacidade de adaptação ao nosso meio ambiente. Infelizmente, a noção de sobrevivência do mais apto foi usada historicamente para justificar ideais racistas. Em particular, tem sido usado como motivação por vários grupos governar o mundo. A vitalidade é uma parte da condição humana, mas não define a condição humana. Vitalidade juntamente com empatia, a compaixão e o senso de comunidade é o que, em última instância, cria uma base para o crescimento espiritual. A noção de controlar outros com base na criação de armas para usar como ameaça é uma concepção enraizada na ganância e na mentalidade da escassez. Se você acredita que o mundo tem recursos limitados do que o uso da violência para garantir a sobrevivência pode ter algum sentido. Ifa ensina a compreender que vivemos em um universo abundante e que viver em alinhamento com a Natureza pode assegurar a sobrevivência sem a necessidade de recorrer à violência. Nós temos no conceito teológico de Ogun a concepção de sobrevivência através de ação assertiva e agressiva voltada para a manutenção da sobrevivência.

A concepção não é o princípio dominante da organização social na cultura Yoruba tradicional. No mito da criação, o mundo é descrito como sendo originalmente governado por Ogun e continua dizendo que esta hera da civilização foi um fracasso. Para colocar em melhor compreensão no idioma contemporâneo, estamos falando de testosterona masculina. É o que eu chamaria de qualidade dinâmica, assertiva agressiva e expansiva na própria natureza que é expressa pelo Grandioso Orisa Ogun. Esta é uma força observável na natureza que só se torna destrutiva quando está fora de equilíbrio com as qualidades nutricionais e contratadas associadas à estrutura feminina. É por isso que o patriarcado não funciona. Quando Ifa veio para a diáspora, a influência das religiões patriarcais sufocou a concepção original Yoruba de igualdade de gênero. Quando Ifa fala sobre Ogun, é muitas vezes referente a ferreiros e fabricantes de ferramentas. Esta é uma perspectiva limitada porque sugere que uma pessoa descobriu como usar a tecnologia do ferro e agora estamos deificando essa pessoa. Se limitarmos nossa percepção dessa maneira, estamos perdendo a manifestação primitiva e original de Ogun como força da Natureza. Eu chamo Ogun do Grandioso Orisa do Ferro porque é a tradução comum da palavra e porque Ogun é o Orisa que é honrado pelos seus feitos, mas ele não está limitado à metodologia de criação de ferramentas.

Eu acredito que a gênese histórica do relacionamento humano com Ogun pode ter saído da tradição dos homens como caçadores e mulheres como detentoras de tempo. Esta é uma separação dos papéis de gênero provavelmente estabelecidos por razões práticas. As mulheres em seu ciclo deixam um perfume facilmente apanhado por animais, tornando difícil para as mulheres caçar efetivamente em determinados momentos do mês. Ao mesmo tempo, o ciclo torna-se um relógio incorporado. Essas duas funções sociais tornaram-se separadas por gênero como uma questão de conveniência prática. O argumento é que não há indícios nesta separação de funções que os homens são melhores que as mulheres. Simplesmente é uma indicação de aptidão que assegura tarefas mais fáceis de realizar. Nós obtivemos outra indicação sobre a gênese de nossa compreensão de Ogun, observando o simbolismo usado para representar Ogun. Na panela de Ogun, temos um caldeirão de ferro com três pernas, envolto com uma corrente e cheio de pinos. Geralmente, há uma ou duas faca e talvez algumas ferramentas no pote. Podemos olhar para o pote e perguntar o que essas coisas representam?

Com o próprio caldeirão temos o simbolismo do útero, e também temos a representação de três pernas. Três é o número simbólico de Onile ou Mãe Terra. Ifa diz que sempre que dois Awo (noviços) se encontram a força da Grande Mãe esta sempre presente; O terceiro é a própria Terra. Três simbolizam a Relação com a Terra. Isso nos dá o símbolo do útero apoiado pelo símbolo da Terra; Uma clara indicação do relacionamento entre a dinâmica masculina e a forma feminina. O caldeirão é cercado por uma corrente. Em Ifa, os gomos da corrente é  um símbolo para representar a união entre o Céu e a Terra; Um link que é sustentado pela  genética do DNA. Há um pedaço de pano vermelho ao redor do pote que é preenchido com pinos de ferro. Há alguma indicação científica de que a ferrugem nos depósitos de ferro no fundo do oceano criou bactérias que se tornaram a fonte das primeiras formas de vida da célula única na Terra. Este seria o início da evolução e a base para o nome de louvor de Ogun.

Oguntobi que significa Ogun é o Pai de todos ou Ogun é grande. A semente da vida no útero do oceano agora está simbolizada pelas pontas de ferro no caldeirão  de Ogun. No mesmo, pinos de ferro ou ferramentas simbolizam o esperma no útero. O componente feminino de Ogun é frequentemente diminuído no Ocidente. O que é usado para consagrar o caldeirão de Ogun é irosun.

Irosun é pó vermelho da árvore de camilo. Em Yoruba, a palavra irosun às vezes é usada para se referir ao sangue menstrual da  yeye osun, o que significa que a boa sorte vem da guardiã da cabeça, o que eu interpretaria como herança genética de nossos antepassados. Se você está colocando pó de camber vermelho no pote Ogun você está simbolizando o impulso primário da procriação para a sobrevivência. Historicamente, o desejo de sobrevivência levou ao desenvolvimento da caça e ao desenvolvimento do tempo de marcação. O valor do tempo de marcação foi a capacidade de antecipar uma mudança nas estações e desenvolver uma proteção adequada para o inverno, levando eventualmente à capacidade de plantar cultivos. Estamos falando sobre as forças motivacionais primitivas no desenvolvimento da consciência humana levando ao desenvolvimento da civilização. No Ifa no mito da criação, o esforço inicial de Ogun para criar a civilização falha devido a um excesso de agressão. A civilização é salva através dos esforços de Orunmila que ensina a Ogun os princípios do bom convívio. Eu acredito que esta é uma lembrança histórica do fato de que o comportamento próprio, agressivo não controlado não é o princípio ótimo para a organização social. Temos a tendencia de julgamentos éticos que temperam a pura natureza agressiva desenfreada de Ogun como uma força sobrenatural na Criação. A história sobre o relacionamento de Orunmila com Ogun não significa que Ogun é “malvado”, não torna Ogun “ruim”, não faz Ogun “o diabo”, não faz de Ogun um “guerreiro sedento de sangue”. Isso faz parte da maior imagem de Ogun, em que a questão do equilíbrio torna-se importante. Todo aspecto da roda deve desempenhar sua parte por igual. Para enfatizar que alguém falou da roda sobre o outro é criar dogmas, e o dogma nunca é verdadeiro. Quando o poder de Ogun é necessário, ele precisa ser totalmente expresso em sua essência para encontrar seu lugar apropriado no mundo. Uma das maneiras como isso é feito nas comunidades tradicionais Yoruba é permitir que os anciãos de Ogun realizem ofertas de força vital. Em muitas comunidades Yorubas há espaço para especialização. Você pode ter uma cerimônia para Oya (o Orisa do Vento) e quando chegar a hora de fazer uma oferta de uma cabra, e o sacerdote de Ogun pode ser chamado para fazer o corte. Depois disso, ele pode deixar a cerimônia. Estou falando sobre o que comumente se chama “sacrifício”. A palavra “sacrifício” é um termo cristão; A palavra em Yoruba é Ebo. Sacrifício não se traduz em ebo. Se não sacrificar animais porque isso sugere que o animal é morto e descartado. O conceito Ifa de ebo é proporcionar uma festa para a família ou a comunidade. Quando você mora em um ambiente que depende de animais domesticados para alimentação, o abate de um animal é sempre um ato sagrado, assim como a caça é um ato sagrado quando as comunidades dependiam da caça para sobrevivência. Nas comunidades tradicionais Yoruba, Ogun inicia abates de animais domésticos e caça aqueles animais selvagens que fazem parte da dieta. Às vezes, especializam-se, então nos ritos de Ogun, sendo que nem todos necessariamente fazem.

Todos os iniciadores de Ogun são treinados na disciplina espiritual da preparação de alimentos santificados, que significa comida abençoada durante a preparação e o consumo. Quando você passa por um rito de passagem ou uma transformação pessoal, é a crença de Ifa que quanto mais as pessoas orar em seu favor, mais provável será que suas orações sejam ouvidas pelo Orisa. Para que muitas pessoas apoiem sua elevação espiritual, você as alimenta. No dia em que você anuncia que você se comprometeu a passar de ser uma criança para um adulto, você alimenta a comunidade. Após a festa, ninguém na comunidade permitirá que você se afaste igual a uma criança. Quando alguém faz algo tolo, os anciãos vão dizer que matamos uma cabra para anunciar o dia em que você se tornou um adulto, honre seu compromisso com essa celebração. Este não foi um sacrifício, é parte do ciclo normal de alimentação da comunidade. Por que você faria um banquete de uma forma cerimonial? Isso é baseado na manifestação de reafirmar nossa aliança com a Criação. Quando um sacerdote de Ogun abate uma cabra, ele precede o gesto dizendo: “Que o Espírito desta cabra se reencarne como uma cabra, para alimentar minha família no futuro”. Você está reconhecendo a relação interconectada entre todas as coisas na Natureza. Não é sobre o sangue.

O sangue é o selo da aliança. Há uma noção equivocada na diáspora de que quanto mais sangue você usa, mais energia você levanta. Na África, eles retornam o sangue para a Terra. Quando o sangue é colocado na Terra tem valor regenerativo como o fertilizante. Eles tomam uma pena e mergulham a pena no sangue e tocam o sangue para o santuário que está sendo alimentado. A quantidade não é um fator. Claro, existem variações nesse processo. O ponto é que a comida está sendo preparada para a comunidade; O sangue é acessório. O ato de reafirmar nossa aliança com o Orisa exige apenas uma pequena quantidade de sangue. É a sinceridade do ato ritual que carrega o poder e não a quantidade de sangue. Há outro aspecto de uma oferta de força vital essencial para entender o awo ou o mistério de Ogun. Com base na crença de Ifa na reencarnação, os animais passam para o reino dos antepassados. Oramos diretamente aos animais para que nossas orações possam ser tomadas pelos animais no Orun ou no reino invisível. Ensina-se a compreensão, tudo no mundo tem consciência e o Orisa pode se comunicar com todas as coisas. Se também abraça o entendimento de impressões psíquicas. Se eu tocar em seus sapatos, posso dizer onde você esteve durante o dia. Sua oração contra a cabeça do animal transfere essa mensagem para o Espírito e para aqueles que compartilham a refeição.

É o processo de dar a nossa oração substância física na comunidade e no reino dos antepassados. Quando você faz a oferta, você está lidando com o poder de Ajala, a palavra Yoruba para guerreiro. A palavra Ajala é significa aja ala, o cão da luz. Em Ifa, um cão é um mensageiro para o invisível como o Nimbus na cultura egípcia; Não é uma referência depreciativa. Quando você diz que você é um cão de luz branca, você está dizendo que você é um mensageiro de conduta ética. No ato de fazer ebo ou ofertas, você se torna Ajala. Você se torna o veículo em que a conduta ética está encarnada. A luz no Ifa está associada à concepção de que tudo está conectado. Experimentar a luz em sua manifestação primordial é ter uma experiência mística que lhe permita sentir sua conexão com todas as coisas. Esta experiência surge no Odu Otura meji. Não há Ajala sem a manifestação de Otura meji. Ala é uma referência simbólica à visão mística. Aja é uma referência simbólica à capacidade de permanecer conectado ao espírito para reforçar sua visão mística original com informações relevantes para o momento. O conceito Ifa de Ajala inclui o componente da visão mística e o conceito Ifa e Ogun inclui o componente de s’otito s’odido que significa os fatos e diz a verdade. Na sabedoria popular associada a Ogun, há um (iton) História sobre Ogun trabalhando como executor de um Oba ou rei. Alguém roubou uma das cabras do Oba e o mensageiro do Oba acusou um suspeito específico de que o mensageiro diz ter visto levar a cabra. O mensageiro traz o suspeito ao palácio para execução. Quando o mensageiro chega com o suspeito, Ogun decapita o mensageiro dizendo que é Ewò mentir. Ogun diz: “Eu sei que o suspeito é inocente porque eu roubei a cabra”. O mistério de Ogun se torna encontrar um lugar que abrirá um portal para a verdade. Em Ifa amor incondicional ou Ifè é a única verdade, tudo mais é ilusão ou ibi. Esta não é a verdade suprema da vontade de Deus; É a verdade relativa de como viver efetivamente no mundo.

Dentro da Ori encontramos um lugar para equilibrar a cabeça e o coração. O equilíbrio nos dá uma sensação de si mesmo e do mundo. É Esu que perturba nosso senso de complacência, dando-nos uma visão do eu e do mundo além da nossa percepção imediata. A ruptura de Esu nos leva a um mundo de medo, confusão, pânico e medo. Através da invocação de Osoosi, nosso eu superior pode nos guiar para uma visão do caminho que nos levará da escuridão e da luz. Quando as etapas que precisamos tomar são claras, é Ogun quem nos dá a força de vontade e a determinação de realmente caminhar pelo verdadeiro destino. Ifa ensina quando você invoca Ogun você está pedindo para transformar isso O que obstrui seu crescimento.

Essas obstruções sempre se originam em nós mesmos como ilusões que não refletem com precisão o mundo que nos rodeia. Ogun limpa os obstáculos internos que levam à transformação do ambiente externo. Em termos simples, somos os mestres de nosso destino. Odu Ifa fala dos perigos de Ogun desencadear seu poder espiritual ou espiritual sem o equilíbrio temperante do espírito feminino. Às vezes, as pessoas agrupadas em comunidade são confrontadas com a necessidade de se defenderem. O Odu Osa Ogunda fala de um momento em que é necessário ir à guerra. Isto é referido simbolicamente como o momento em que o búfalo de água agita o pó.

O búfalo é sagrado para Oya, o Orisa do Vento, considerado a guardiã da floresta. Para dizer que o búfalo está agitando água, a poeira, é dizer que a estabilidade da floresta tropical está ameaçada. Na cultura Yoruba tradicional, uma ameaça para a floresta tropical é entendida como uma ameaça à sobrevivência. Oya, por sua vez, abre a porta para o reino dos antepassados que tem a visão e a visão para consertar o que está sendo ameaçado. O primeiro passo no processo é dizer que Ogun não pode ir à guerra sem a orientação de Oya para proteger a aldeia da extinção. No verso Osa Ogunda, Oya é descrito como um deslocador de forma que significa que ela tem um poder espiritual associado às mulheres de Iyaami Osoranga. Isto é o poder da viagem astral e a capacidade de usar viagens astrais como uma arma para atormentar aqueles que ameaçam a estabilidade da cultura. Aproximadamente há duzentos anos, houve uma grande reação à escravidão na Nigéria, iniciada pelas mulheres de Iyaami Osoranga. Essa indignação moral levou a escaramuças com os britânicos e o final da escravidão na cultura yoruba. Essa indignação moral foi formalizada no ritual ancestral chamado Gelede. O propósito da gelede é apaziguar a raiva das mães segurando um ritual anual onde as preocupações sociais das mães são direcionadas diretamente. Na cultura Yoruba tradicional, a guerra é uma operação integrada coordenando as habilidades físicas do guerreiro dos homens que são iniciados nas artes marciais associadas a Ogun e as mulheres, iniciadas nas artes marciais associadas aos poderes das mães ancestrais. A arte marcial de Ogun é chamada Aki, que significa coragem e aqueles que são habilidosos nas artes marciais são chamados de Akin, que significa homens valentes. As artes marciais das mães ancestrais estão associadas a Aje, que significa poder da palavra. A Odu Osa Ogunda diz que Ogun reconhece as habilidades de mudança de forma de Oya e pede-lhe para ser sua esposa. Juntos, eles se tornam uma força poderosa para proteger a aldeia. Em outras palavras, a guerra tradicional de Yoruba é combate físico apoiado pela oração.

Ifa entende os mistérios internos da guerra e entende que o poder espiritual ou aquele usado para lutar efetivamente contra uma guerra não é facilmente desativado. Se a energia não for aterrada após uma batalha, a ase corre o risco de se tornar autodestrutiva. O Ogun Ogunda Ose fala do tabu contra o machucar os outros, ofender os outros e punir os outros. Todos os quais são considerados diferentes de defender a comunidade do ataque. É o papel de Osun, o Orisa da Água Fresca, para lembrar a Ogun desta distinção. Ela faz isso usando o remédio do mel para adoçar sua alma após o trauma da guerra. Osun é a fonte de abundância, fascínio erótico e a promessa de uma boa vida. É Osun quem acalma Ogun quando é necessário dissipar a testosterona necessária para ser um guerreiro eficaz. Em última análise, a finalidade da garantia de Ogun é eliminar todos e quaisquer obstáculos que levem ao renascimento, tal como se expressa no Odu Ogunda Odi. Neste verso, prometeu-se a Ogun uma jornada segura, o que significa que a remoção de obstáculos resultará na manifestação de um ori completamente transformado ou o surgimento de uma nova autoidentidade com parâmetros ampliados de mundo. Odi é o Odu que encarna Yemoja, yeye mi oja, que significa a Mãe dos Peixes. Este é o Ifa Espírito da Mãe Norteadora que nos dá um senso de conclusão e graça, quando concluímos a difícil jornada de autoelevação e transformação. Estudos clássicos da mitologia descrevem isso como o herói descobrindo a benção do tesouro na região selvagem. Em termos simples, isso significa que qualquer problema que eu conserto na minha vida se torna medicamento potencial para outra pessoa. Na cultura Yoruba tradicional, todos os mais velhos do que você é seu mentor e todos os mais jovens são seus potenciais protegidos. Aprendemos com experiência e experiência que nos da a voz de autoridade para ensinar aos outros. A Viagem do noviço é suportada pelo provérbio de Ifa que diz. “Se a sua vida melhorar, minha vida fica melhor”.

Ire gbogbo wa !!!!

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O conceito do culto à Òsóòsi em relação à Òrúnmìlà.

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O conceito do culto à Òsóòsi em relação à Òrúnmìlà.

 

Na cultura Yoruba tradicional, existe um Orisa, ou Força da natureza chamada Osoosi. Na Diáspora, é geralmente escrito por Oshosi. Alguns escritores que falam sobre Osoosi fazem a afirmação falsa de que Orisa já não é adorada na Nigéria. Osoosi permanece amplamente venerado em Ifa, onde é conhecido por uma variedade de nomes, incluindo Langua. Olhando para a palavra Osoosi, é possível dividi-lo em duas palavras.

Oso é a palavra comumente usada para a feitiçaria. Em Ifa, o conceito não é pejorativo. Oso é a habilidade de viajar pelo astral. Qualquer um que tenha a capacidade de sair do seu corpo tenha a ase (poder espiritual) de Oso. Parapsicólogos chamam isso de O.B.E, ou experiências fora do corpo. Oso em Yoruba refere-se a experiências fora do corpo que são invocadas intencionalmente. Saindo de seu corpo com intenção deliberada usando a invocação como o gatilho é a disciplina espiritual associada ao Osoosi. Osi significa esquerda. O que recebemos em inglês como uma tradução literal de Osoosi é o feiticeiro da esquerda ou fora do corpo para a esquerda. Isso não faz sentido no português, mas é uma referência muito clara no Ifa. Ifa tradicional a adivinhação usa uma bandeja de madeira dividida em quatro quadrantes. O lado direito da bandeja relaciona-se com o que se manifesta no presente. O lado esquerdo da bandeja relaciona-se com o que está escondido. Direito em Yoruba é otun, e a esquerda é osi. Odu Ifa (Sagrado Escritura) possui um componente direito e esquerdo. As marcas do Odu são uma cabala. A maneira mais simples de olhar para o Odu é considerar que o lado direito representa o que está acontecendo no mundo visível. O lado esquerdo geralmente representa o que ainda não chegou ao Ser, se baseia na crença de que todas as coisas que entram no Ser existem em potencial latente no reino invisível. Isto é idêntico ao conceito platônico de Formas. O exemplo mais claro dessa polaridade seria os versos conscientes inconscientes. O que você acha que é o problema e o que realmente é o problema torna-se uma questão importante no processo de adivinhação. A analogia aplica-se a todo reino do Ser. Quando chove, o tempo é causado pela conjunção de frentes de pressão invisíveis. Os terremotos são o resultado da libertação invisível de pressões subterrâneas. Os exemplos são infinitos. Nós temos algum sentido de Osoosi examinando os poemas (ese) e oriki ou louvor usados para invocação. Em qualquer referência simbólica à mão esquerda, está falando sobre o potencial latente e a manifestação do Espírito Como Guardião ou Protetor.

Aqueles espíritos que são descritos como desbravadores trazem iluminação, elevação e inspiração. A língua yoruba é rica em elisions. Uma elision é quando você toma uma frase e lança várias palavras juntas para fazer uma palavra. Quando as frases são executadas juntas para formar o nome de um Espírito, as palavras que são executadas juntas são referidas como a oriki ou o verdadeiro nome do Espírito. Que significa louvor, também significa abrir. Ori significa consciência ou cabeça. A tradução é louvar a cabeça, ou abrir a cabeça, ou abrir o mistério que ilumina a cabeça. Oriki como uma poesia de alabar descreve a essência interior do Espírito. O oriki de um Orisa é uma chave para criar o nome do espírito e para criar nomes de elogios que descrevem a essência do Espírito. Um exemplo de Oriki a Osoosi é rico em elisions.

 

Obalogara bata ma ro.

 Ara l’emi n f’Osoosi da Ode ata matase.

 Onibebe Osolikere,

Asa la ko gbo ogun,

Odide mataode.

Odide gan fi di ja.

 

Obalogara bata ma ro descreve Osoosi como o principal caçador que supera o medo. Ara l’emi n f ‘Osoosi da diz que o corpo e o espírito do viajante astral esquerdo é invocação. Ode ata matase geralmente é traduzido para significar o caçador que nunca perde, mas a palavra matase é uma elision de mata ase que significa poder mágico. Isso sugere que o Osoosi possui alguma habilidade especial relacionada à caça. Onibebe significa proprietário ou guardião da margem do rio. Osolikere, Asa la ko gbo ogun, Odide mataode. Odide gan fi di ja o mago da floresta usa um falcão para coletar remédios e usa o papagaio manchado para me guiar além do medo. As aves em oriki são referências simbólicas à viagem astral. Osoosi significa claramente ter uma influência invisível através do uso de estados alterados de consciência. Yoruba se refere a essa habilidade em inglês britânico dizendo que Osoosi é um “Guardião”. Quando ouvi pela primeira vez a frase demorou um pouco para entender o que significava. Eu finalmente aprendi que se referia à capacidade de afetar as coisas sem ser visto. Uma música popular para Osoosi diz Osoosi ire, ode mata ode mata. A música traduz Feiticeiro da mão esquerda, traz boa sorte, remédios da floresta. O medicamento manchado em tatuagens ou escarificação é chamado de mata. A escarificação é causada pela descamação da pele, colocando um pedaço de areia na pele, juntamente com alguma forma de remédio. O medicamento é chamado de ajabo de elisa aja ebo, o que significa que o cão traz a oferta. Os cães são considerados mensageiros da Orisa, então Ajabo é o medicamento colocado no mata para melhorar a comunicação com o espírito. Você faz ajabo obtendo ervas (ovelha) e, dependendo da função do remédio, você junta às ervas adequadas ao que você está tentando realizar. Há ervas para limpeza, proteção, iluminação, ervas para melhorar sua memória e ervas para curar doenças. A maneira como Ajabo é feita é que você obtém as ervas e você queima as folhas, então elas são pretas e vocês as queimam com uma panela e pilão. Você obtém uma pequena mistura de material que se parece com pó de arma. Então você diz as orações e invocações que melhoram a intrínseca qualidade das ervas no pó. O pó que você coloca na incisão é chamado de mata. Na cultura Yoruba tradicional, Osoosi é adorado por caçadores e está associado à habilidade de acompanhar o jogo e localizar plantas raras na floresta. Por esta razão, Osoosi é frequentemente chamado de Espírito do Rastreador. Os rastreadores Yoruba na floresta tropical falam da capacidade de caminhar e olhar com o olho direito observando em frente e o olho esquerdo veem uma visão aérea de cima para baixo. Eles falam da capacidade de fazer isso simultaneamente. Esta é uma ferramenta essencial para a sobrevivência na selva. A floresta tropical está cheia de árvores verdes para o horizonte em todas as direções. É fácil dá o fora. Se você não conhece a área, se você não possui as habilidades associadas ao Osoosi, a floresta tropical pode ser um ambiente implacável. Osoosi como o guardião do rastreador ensina a viagem astral como uma ferramenta para localizar coisas de valor na floresta, especificamente erva e jogo. Em minha opinião, essa habilidade não é mágica. Representa o final de uma habilidade particular que está latente em todos nós. Porque não há muito pedido para essa habilidade no Ocidente, o potencial permanece subdesenvolvido. A questão então se torna, qual é o significado espiritual de Osoosi no mundo urbano contemporâneo e qual o papel que ele desempenha ao longo da jornada do herói?

Nós consideramos o símbolo Ifa da encruzilhada no opon de adivinhação. É, entre outras coisas, um mapa da consciência. O propósito da adivinhação de Ifa é equilibrar todos os elementos da consciência. A borda exterior do círculo representa a soma total de um estado particular de consciência individual. Os quatro quadrantes criados pela encruzilhada no círculo representam os elementos da consciência em um estado de equilíbrio. Se expressar a forma de equilibrar os componentes da consciência, referindo-se à relação entre os Ori, que significa consciência, o Ori inu, que significa o eu interior, e o iponri que significa o eu superior. Ao fazer A ligação entre o eu interior e o eu superior começamos a entender a grande natureza expansiva do potencial humano. No idioma da Nova Era esse processo é chamado de centralização. Alinhar o Ori inu e o Iponri é o passo preliminar no movimento em direção ao estado alterado de consciência comumente chamado de possessão. A palavra “possessão” em Yoruba é ini que se traduz em eu, então ao invés de ser possuído por algo diferente de você, você está entrando em contato com quem você é essencialmente igual. Depois de entrar em contato com seu eu interior, isso se torna um ímã para formas semelhantes de energia no universo e é quando a possessão como fonte do não pessoal ocorrendo assim a informação. Você pode estar em contato com seu eu interior e não se conectar com o Espírito. Quando você se conecta com formas semelhantes de consciência no universo, há uma grande onda de poder e o sentimento de exaltação. Como a centralização se relaciona com a jornada do herói? Ifa diz que o Ori que sai da casa pela manhã não é o Ori que vem para casa à noite. Isso significa que, no decurso de um determinado dia, você vai aprender alguma coisa e você deve integrar novas experiências em uma consciência equilibrada. Na maioria das vezes o que aprendemos não requer uma morte completa do eu antigo, então é um processo relativamente simples. No entanto, certos acontecimentos  em nossa vida, como a puberdade, o casamento, tornando-se um avô requer uma mudança radical na autopercepção e uma morte total do eu antigo. Quando nos encontramos com Esu e Esu nos joga no reino do desconhecido, nossa consciência se volta para a questão de encontrar o nosso caminho para casa, encontrando o caminho mais curto para a ori inu recém-formada procurando uma saída para confusão e dor. É neste momento que podemos recorrer a Osoosi para orientação. Ifa diz que após o início nos iniciamos todos os dias. Isso significa que toda vez que sua consciência se expande, a pessoa que estava viva no dia anterior morre e renasce como alguém mais inteligente. Isso se torna o desafio contínuo da disciplina espiritual de Ifa, a morte do eu antigo e o nascimento do eu novo com consistência inflexível. Osoosi nos mantém movendo-se em direção a uma maior sabedoria, um melhor caráter e uma visão mais profunda do eu e do mundo. A circunferência do círculo que define a consciência de um indivíduo passa por uma grande expansão na puberdade. Esse tipo de salto no desenvolvimento pode ser confuso e estressante. Existem duas maneiras de viajar da consciência centrada de uma criança para a consciência centrada de um adulto. Um é viajar de uma linha direta do centro A para o centro B; O outro é explorar as formas infinitas que podemos evitar viajar em linha reta. Evitar uma linha direta significa permitir-se resistir ao processo, evitando o desafio de se tornar um adulto ou se recusando a enfrentar o medo que vem com o aumento da responsabilidade comunal. Evitar a responsabilidade comunal baseada na incapacidade de expandir a consciência sempre leva à crise. No momento da crise, olhamos para Osoosi dar uma visão da rota mais curta para a elevação necessária para fazer a transição. Algumas comunidades definidas como as três pessoas que se reúnem para um propósito. O propósito para uma comunidade espiritual é apoiar o crescimento espiritual uns dos outros. O propósito de Osoosi é apoiar o consciente de que passar do ponto A para o ponto B pode ocorrer de forma suave e eficiente viajando em linha reta, indo direto ao centro da questão. Tudo isso parece simples e claro, mas Mali doma diz que os seres humanos são as formas menos inteligentes de consciência no planeta porque podemos encontrar todos os tipos de boas razões pelas quais a rota mais curta não funcionará. Os psicólogos chamam essa resistência Mali doma. Na língua Yoruba, a resistência é chamada ibi. A palavra ibi significa pós-parto. Quando o feto está no útero, a placenta é a fonte da vida. Depois que a criança nascer, se o cordão para a placenta não for cortado, a placenta torna-se tóxica e a criança morre. Ibi é a incapacidade de deixar ir dos aspectos do antigo estágio de desenvolvimento que precisam ser abandonados para garantir o crescimento pessoal. O que queremos fazer quando invocamos Osoosi é obter uma visão clara do caminho direto, ou do caminho mais curto, para o próximo estágio de desenvolvimento. Quando você faz parte da adivinhação de Ifa do que é revelado é o caminho mais curto para a elevação. Osoosi é um fator importante em quase qualquer experiência de adivinhação. O poder de Osoosi ou o poder espiritual estão ajudando você no processo de transformação. O que tende a acontecer é que as pessoas vão ter um problema e farão o que eu chamo deifico. Eles vão dizer que todo mundo que vem para Ifa obtém seu problema resolvido, mas meu problema é tão único não tem solução. Eu chamo essa deificação, porque isso significa que a pessoa vive no universo autodenominado em que Deus tem soluções para os problemas de todos. Mais uma vez, esta é uma manifestação do ibi. Não há uma solução fácil para este tipo de resistência, porque o pensar é gravado em pedra no ori da pessoa que é resistente à mudança. Ifa diz que as pessoas que estão neste tipo de resistência têm a capacidade de manifestar demônios autogerados chamados elenini. O motivo para criar um elenini é para que você possa culpar seus problemas no Diabo. Quando você está lidando com Osoosi em um nível pessoal direto real, o caminho mais curto envolve a capacidade de cortar esses pensamentos rígidos que limitam nossa percepção de quem somos. Em termos teológicos, é a destruição de todo dogma. A palavra dogma significa um pensamento fixo sobre a natureza da Criação. Ifa diz que todo dogma é uma expressão de arrogância e toda a arrogância é considerada resistência ao crescimento. Sempre que você tiver o pensar de que não pode realizar alguma coisa, ou tenha um pensamento que diminua seu senso de si mesmo, é Osoosi que invocamos para encontrar uma visão alternativa. Sempre que você deificar um negativo, o círculo de sua consciência fica menor. Você regrediu em vez de crescer. A regressão leva esforço e, eventualmente, leva ao sofrimento e à doença. A regressão requer esforço é porque você deve distorcer constantemente sua percepção da realidade para se adequar à sua autoimagem negativa. Esse processo nunca funciona. As coisas podem acontecer para desafiar sua autoimagem negativa e, ao invés de integrá-la em sua consciência e crescer, você não a vê, distorce-a. Pense em quantas vezes você manteve um pensar que é autodestrutivo o que fez com que você perca uma manifestação de boa sorte. Pense em como isso impediu que você se movesse em direção a um objetivo porque era mais importante manter a autoimagem negativa. Um exemplo óbvio seria o alcoolismo. A única maneira de passar o dia é beber. Isso se torna seu conceito deificado de si mesmo. Todos os dias você se apega a esse pensar, sua percepção objetiva de quem você é e de quem você pode se tornar diminui. Em algum nível, todos nós fazemos isso. Com Osoosi, começamos a procurar alternativas ao que os psicólogos chamam de regressão e o que Ifa chama de possessão por elenini. Na cosmologia de Ifa, elenini é um demônio autoinvocado e autogerado. Os demônios autocriados são os mais difíceis de banir porque não têm existência real. Não importa o que você sugira como um adivinho para a pessoa com um elenini, suas sugestões serão ineficazes. Se você fizer algo efetivo, um novo elinini parece mais inteligente, mais insidioso e mais tortuoso que o único antes. Como um adivinho, quando se encontra com elenini, você sabe que não pode matá-lo; Tudo o que você pode fazer é educá-lo, tentar convencer o elenini de que não é real. Compreender as limitações do dogma na autocompreensão requer uma explicação de Orun. O conceito Ifa de Orun muitas vezes é mal traduzido para significar o céu. Eu acredito que Orun é mais exatamente traduzido para significar a dimensão invisível. Existem raios de luz invisíveis que têm uma influência observável na realidade visual. Formaram-se uma linha horizontal representando o espectro de luz, a extremidade superior é ultravioleta e a extremidade inferior é infravermelha. A ciência ocidental nos diz que olhamos para o espectro de luz em algum lugar do meio. Isso significa que há vibrações de luz na extremidade inferior e na extremidade superior do espectro que não podemos ver. Ifa ensina a crer que o domínio do Espírito ou influências invisíveis existe no espectro de luz superior (Ikole Orun) e inferior (Ikole Aye), bem como em múltiplas dimensões da realidade (Ile Orun). Isso significa que podemos dizer que existe uma dimensão invisível que ajuda a moldar a dimensão física. A ciência da Física Quântica nos diz que vivemos em um universo de dez dimensões onde há influências invisíveis além do espectro da luz e, em minha opinião, isso é o que Ifa significa quando fala de Orun. A palavra não é o paraíso, não são portões perolados; é uma Dimensão invisível do nosso ambiente físico que tem substância e efeito e poder real para moldar e influenciar o mundo que vemos. Osoosi é a capacidade de projetar nosso ori ou consciência no reino invisível. Na língua yoruba, o reino invisível é descrito como odudu que significa escuridão total. É o que a ciência chama o vazio para além das polaridades do tempo e do espaço. Neste domínio, podemos projetar o nosso ori em qualquer direção, dando-nos acesso ao espectro de tempo além do momento presente. Isso significa que podemos ver o futuro e o passado. Podemos ver aquelas influências que influenciaram nosso destino e isso afetará nosso destino. Quando Esu nos empurra para o Reino do desconhecido é Osoosi que nos dá a visão da estrada de casa. Em Ifa, a estrada home ou ile l’ona é uma referência simbólica para recuperar o nosso centro, o lugar do equilíbrio entre a cabeça e o coração. É o processo de reintegração, individuação e auto-transcendência. O que é que nos permite avançar além do tempo? Nos estados normais de consciência, somos controlados pela gravidade, tempo e matéria. Se temos um campo de gravidade diferente, experimentamos um sentido diferente do tempo; Ou seja, estaremos olhando uma frequência diferente ao longo do espectro da luz. Tanto a ciência quanto Ifa ensinam que o tempo e o espaço são ilusões perceptivas. Tudo o que aconteceu ou acontecerá existe no momento presente e vemos o tempo sequencial como resultado do efeito da gravidade na percepção. Quando você tem Oso, a capacidade de sair do seu corpo, a primeira coisa que você está fazendo é libertar-se dos efeitos da gravidade. Além de poder entrar na floresta e ver as coisas no domínio físico, você também pode vislumbrar o reino invisível que molda a vida na Terra. Creio que os maestros realmente sábios e adeptos de Ifa, incluindo os adeptos de Osoosi, veem as dimensões da luz que literalmente estruturam a realidade física. Se você pode entrar fisicamente nesta dimensão, pode ver essas influências invisíveis e pode afetá-las em Formas que parecerão mágicas para aqueles que não estão familiarizados com esse processo. Suas ações aparecerão milagrosas. Eles não são. Você simplesmente tem acesso a porções comumente não utilizadas do cérebro, permitindo que você veja o que normalmente é invisível. Se você não sabe como funciona um carro, as ações de um mecânico podem parecer mágicas. As várias explicações da magia ritual são, em última instância, questões de perspectiva. O que é descrito como magia pode ser entendido como ciência. Em Ifa existem duas maneiras de entrar no reino invisível. Um deles é através do uso de eleiye, que é o espírito de um pássaro morto usado para tirar-se do seu corpo. O outro é através da invocação de Osoosi. Ifá  tem uma tradição de pessoas pequenas e animais estranhos associados a Osoosi que funcionam como guias no reino invisível. Eles são geralmente descritos em uma das duas formas. Uma é gente pequena que se parece com seres humanos em termos de suas proporções; Exceto que eles têm menos de um metro de altura. O outro é o que chamo de bolas de peles – pequenos animais redondos cobertos de cabelos. Quando esses espíritos aparecem visual e espontaneamente na floresta, torna-se uma questão de cautela. Antes da aparência, geralmente há um flash de luz semelhante ao flash em uma câmera. Quando você entra nas regiões superiores do espectro de luz, o tempo e o espaço ficam distorcidos. Se as bolas de peles aparecem, e você Siga-os, você literalmente pode desaparecer e reaparecer em algum outro lugar. Isso é interessante, porque não é muito diferente da descrição dos sequestros do OVNI. Não tenho a certeza de que o que chamamos de abduções de Alien não é um fenômeno interdimensional espiritual em vez de uma realidade espacial. Mais provável, é a possibilidade de que de tempos em tempos estamos lidando com ambos. O objetivo é que os ajudantes de Osoosi o levem ao reino invisível e esta é uma longa e bem estabelecida tradição na África. Os iniciantes em Osoosi consideram que é uma parte importante e necessária de seu processo de treinamento para aprender a viajar com segurança em outras dimensões. Mali doma alguns realmente falam disso muito enloquecidamente em seu livro Espíritos de Água. Na África, essas experiências são um aspecto comum da vida diária. Alguns falam de seus encontros com pessoas pequenas como parte do rito da puberdade dentro de sua cultura. É parte do processo de aprender as habilidades necessárias para fazer a transição de ser uma criança para se tornar um adulto. Na maioria das culturas africanas, existem certos lugares que são acessados gateways acessíveis para a dimensão invisível. Em Ifa, esses gateways são chamados Igbodu da elisa Igbo Odu que significa útero da floresta. Essas estradas geralmente são rochas ou árvores particulares e quando as pessoas abordam esses Portais eles literalmente caminham na árvore ou na rocha e desaparecem. Eles podem reaparecer três ou quatro horas depois. Isso implica um domínio da capacidade de mudar as dimensões. Igbodu é o local de iniciação e diferentes portais são usados para revelar uma grande variedade de mistérios chamados awo. Uma maneira de entrar no reino invisível é deixar seu corpo. O outro caminho é permanecer no seu corpo e abrir suas postagens visuais de percepção, de modo que o domínio invisível em torno de você se torne aparente. O primeiro método envolve projetar sua consciência fora de seu corpo e o segundo método envolve a gravação de vibrações de percepção superiores. Quando você sai do seu corpo e vê o ambiente físico ao seu redor. Você está ciente de que você não está onde deveria estar. Quando seus poderes visuais começam a se abrir, você vê coisas no ambiente que não deveriam estar lá e geralmente são transparentes no sentido clássico do fenômeno fantasma, o que significa que você pode ver através deles. O que é estranho sobre essa experiência é mesmo que as coisas que você vê são transparentes, são táteis. Se você chegar e tocá-lo, há uma sensação de interação física. Osoosi também tem a capacidade de entrar na posse com o espírito dos animais. No Oeste isso é chamado de mudança de forma. Quando você entra na posse com o Espírito de um animal, você não parece necessariamente o animal com outros humanos. Você se sente como o animal para outros animais, é uma mudança vibratória. Esta é uma ferramenta importante para a caça. Se você é capaz de entrar na posse com o espírito do animal, então você tem a capacidade de se misturar com esses animais na floresta. Neste estado você pode se comunicar com os animais e chamá-los para você. Os caçadores Yoruba com essa habilidade frequentemente entram na floresta e recuperam o jogo sem usar armas. Porque Osoosi tem a capacidade de entrar no reino invisível, Osoosi pode identificar os espíritos invisíveis da terra em que vivemos. Na África, Osoosi usa ferramentas e Portais tribais da África. Quando você tem um Osoosi deslocado, como aqui no Ocidente, você tem algumas questões fundamentais a serem resolvidas quanto ao uso da tecnologia ritual no meio ambiente. O primeiro problema é identificar as plantas que podem ser utilizadas de forma cerimonial. Não são mais as plantas que foram usadas na África porque elas não estão disponíveis e não são necessariamente efetivas em outro ambiente. É possível que o reino invisível entre em contato com as plantas. Você pode perguntar o efeito que as plantas terão na consciência humana. Uma das funções do Osoosi é identificar a função de vários aspectos do ambiente ecológico de imediato.

Ervas e plantas são um aspecto essencial da adoração de Ifa. Quando você vai ao mercado na Nigéria, existem cabines que possuem centenas de tipos diferentes de cascas de árvores. Cada amostra tem uma função específica e o nome reflete a função. Além do reino da planta, rios, cavernas e montanhas possuem funções espirituais específicas que podem ser determinadas através da invocação de Osoosi. Quando construímos Igbodu na Diáspora, a primeira tarefa é identificar a fonte natural do poder particular com o qual estamos trabalhando. Você não vai ao oceano para adorar o Espírito do rio e você não vai ao monte para adorar o Espírito do deserto. Se vocês Têm milhares de quilômetros de floresta plana, pode não ser fácil perceber quais forças são mais fortes em uma área específica. Também pode não ser evidente o que o uso espiritual da terra foi no passado. A Igreja Católica é famosa por construir igrejas no terreno sagrado dos povos indígenas. Isso dificulta o acesso a portais interdimensionais em áreas colonizadas. Os africanos em exílio forçado eram muito mais respeitosos. Eles invocaram Osoosi para descobrir como a terra era usada antes de chegarem. Eles invocaram Osoosi para descobrir o nome dos espíritos indígenas da terra e os honraram em conjunto com a Orisa de seus antepassados. Osoosi foi invocado para garantir nada foi feito em conflito com os tradicionais usos indígenas da terra. Se você quiser honrar o ponto sagrado em que você está no momento, a maneira como você descobriria o que estava aqui é invocar Osoosi e ter Osoosi para trazer de volta a informação. Osoosi assegurará que você não esteja invocando espíritos cujo poder conflita com os espíritos já presentes, o que só neutralizaria sua eficácia. Por exemplo, se você invocou o Espírito de Fogo em um lugar usado no passado para invocar o Espírito da Água, você pode negar qualquer transformação espiritual que você está tentando gerar. Um dos grandes capítulos não escritos da história americana é o relacionamento Entre nativos americanos e afro-americanos, especialmente durante o exílio forçado e o período imediatamente posterior à Guerra Civil. Muitos africanos mudaram-se para Oklahoma e viveram na terra nativa onde continuamos a ter uma grande mistura étnica afro-americana e nativa americana. Quando duas culturas se juntam, elas se à culturam. A relação entre ervas e a terra, tal como foi preservada na espiritualidade indígena americana, foi assimilada à espiritualidade tradicionalmente africana, tal como foi praticada na diáspora. Creio que Osoosi desempenhou um papel significativo neste processo de assimilação. Osoosi era um mediador espiritual na mistura dessas duas tradições.

A linguagem de Orisa em Cuba é uma mistura de dialetos Yoruba, espanhol e nativo americano. Essa é uma combinação contundente que forma seu próprio dialeto. A exploração do Osoosi não está, em minha opinião, limitada à vida neste planeta. O povo Dogon do noroeste da África tem um ritual que fazem a cada 51 anos para celebrar a elíptica da estrela escura que viaja em torno de Sirius. Eles estão fazendo esse ritual há milhares de anos. Eles mapearam a órbita de Sirius e sua estrela companheira e eles celebram o ciclo de ambas as órbitas. A primeira vez que a estrela companheira de Sirius foi vista por um telescópio foi há cerca de dez anos. É invisível a olho nu. Isso é uma Coincidência notável, ou os Dogons receberam a informação de extraterrestres, ou eles têm um uso altamente evoluído da percepção fora do corpo. Pode não haver maneira de rastrear com precisão a história desse ritual, mas as habilidades associadas ao Osoosi podem fornecer uma pista. É Esu quem abre a porta ao crescimento, lançando-nos no abismo. É Osoosi que nos guia no caminho da reintegração do ori, mostrando-nos o caminho que leva à transformação e ao renascimento. Osoosi como rastreador aprende as habilidades necessárias para navegar na floresta tropical de Oya, o espírito do vento feminino. Aqueles que são iniciados em Osoosi frequentemente vão Em uma busca de visão prolongada, o que significa que eles entram na floresta com uma faca e aprendem com a experiência de como sobreviver. Eles entram na floresta na esperança de ter um encontro primitivo com Oya. Na floresta tropical, o vento traz perfume, e o vento carrega espíritos. Sempre que há uma mudança no vento, todos os animais congelam enquanto tomam nota da mudança no meio ambiente. É o encontro de Osoosi com Oya que ensina ao rastreador os mistérios da viagem astral e revela o mistério de como ver o mundo através dos olhos de um animal vivo. A relação entre Osoosi e Oya é revelada no Odu Okanran Osa. Este verso da escritura de Ifa diz que o bravo homem sabe como avançar e sabe como se retirar. A distância mais curta do lar é sempre uma linha reta, mas nem sempre é o caminho mais seguro para casa. O caminho para a integração do Ori e a transformação de nossa percepção do eu e do mundo raramente se move em uma rota direta. Osoosi em relação com Oya revela o valor da direção.

 

 

Ifá gbe wa ooo!!!!

 

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O significado do Adùrá que Temos que fazer a Òrúnmìlà

Todos nós devemos ficar nos perguntando o porquê fazemos louvores a Òrúnmìlà e qual a razão ou significado disso? Pois bem, tentarei demonstrar aqui verso a verso, o sentido de nossas devoções.

Antes da primeira consulta do dia, todo sacerdote tem que realizar seu curso diário de preces e louvores a Òrúnmìlà e aos òrìsà, enquanto tudo está sendo arrumado para receber os consulentes de forma favorável aos olhos e ouvidos de Ifá – Òrúnmìlà. É de primordial saber a forma correta de se iniciar a preparação do dia no Ile-Ifá e seus preliminares, que só é realizado ao iniciar do de cada dia, no qual o verso adequado ao consulente nos é revelado por Ifá.

Pois bem, o dia se inicia com o sacerdote senta-se em uma estreira, com seu opon á sua frente, espalha yerosun sobre o opon, e coloca seus instrumentos divinatórios a sua frente e ao centro do tabuleiro, os igbo são colocados ao lado direito do sacerdote, dois potes de búzios juntamente com seus ikins são colocados a sua frente.

O sacerdote retira os ikins do recipiente e em seguida os ergue com suas mãos soprando gim nos ikins dizendo:

Ifá ji o Òrúnmìlà, bi o ló l’oko, ki o wa’le o;

Bi o ló l’odo, ki o wa ‘le o, bi o ló l’ode, ki o wa’le o,

Que quer dizer:

Ifá acorde, Oh Òrúnmìlà, se você esta indo a fazenda, você deve vir para casa, se esta indo para o rio, você deve vir para casa, se você esta indo caçar, voe deve vir para casa.

Esta parte de seu louvor consiste para que Ifá supervisione todo o ritual a seguir e traga o verdadeiro odù que iniciará o dia.

Feito isso então o sacerdote coloca os ikins de volta ao recipiente divinatório à esquerda do opon dizendo:

Mo fi ese re te le bayi, mo fi ese re te ori eni bayi,

Mo gbe o ke l’ori eni, ki o Le gbe mi ka l’ori eni titi lai,

Mo gbe o ka l’ori opon Ifá, Ki o Le gbe mi ka l’ori opon Ifá titi lai.

 

Este verso nos quer dizer:

Eu coloco ao chão e aperto assim,eu então coloco-o a esteira assim, eu o carrego para esteira, assim você pode me colocar para sentar na esteira também.

Colocando os ikins sobre orecipiente divinatório e ao centro do opon dizendo:

Desde dos tempos antigos Ifa é colocado ao centro do opon Ifá, deste modo você pode me colocar ao centro do opon ifá para sempre,

Esse adùrá é por vida longa, seguido de outros por filhos e dinheiro. A seguir o sacerdote risca em sentido horário no yerosun ao redor do opon dizendo:

 

Mo ko Le yi o ka, ki o Le ko Le mi ka,

ki o Le jeki omo yi mi ka,ki o Le jeki owo yi mi ka,

Mo juba o, Mo juba o, Iba’se o,

Ile mo juba o, Iba’se

 

Eu construo uma casa ao seu redor, assim como você constrói uma casa ao meu, você traz filhos ao meu redor, assim como faz o dinheiro ficar ao meu redor, Trago meus olhos abaixados, trago meus olhos abaixados, eu saúdo sua força, trago meus olhos abaixados em sua casa para saudar a sua força.

E neste momento o sacerdote faz um traço no opon dizendo:

 

Mo lonan fun o tororo, Ki o Le lonan fun mi tororo,

Ki o Le jeki omo to ona yi wa s’odo mi,

Ki o Le jeki owo to ona yi wa s’odo mi

 

Eu abro caminho para você, assim você pode abrir o cminho para mim, assim você pode deixar as crianças me encontrarem, assim você pode deixar com que o dinheiro me encontre.

Em seguida com seu Irukere-Ifá ele remove o traço dizendo:

 

Mo se ilê bayi,

Mo se opon bayi

Eu faço o chão assim, eu faço o prato assim.

Batendo no opon-Ifá com seu Iròké-Ifá o sacerdote recita:

 

A gun se o, a gun se,

Bi  Akolo gun ori igi a n se,

A gun se o, a gun se,

Bi Agbe ji a ma se,

A gun se o, a gun se,

Bi Aluko ji a ma se

A gun se o, a gun se,

 

Subir e revelar, se o cinzento pica-pau sobe o topo de uma arvore, ele vai revelar, subir e revelar, se o pássaro Agbe despertar ele irá revelar, subir e revelar,  se o Aluko despertar ele ira revelar, subir e revelar.

Prosseguindo assim saudando a Èsù, Ògún, Òsùn, Sàngó, entre outras divindades entre os vivos e os mortos:

 

Èsù láròyé ibá,

Ògún  se Ibá,

Òsùn a ma se Ibá o,

Sàngó Ibá e ibá o,

Obá àiyé ati Oòrún,

Ibá yin o!

Ile ibá e o!

 

Finalizando o sacerdote recita:

 

Òrúnmìlà bo ru, Òrúnmìlà bo ye, Òrúnmìlà bo sise:

Que quer dizer, eu ofereço o sacrifício, e o sacrifício foi satisfatório, o sacrifício vem para nos salvar.

Batendo com as mãos o sacerdote agradece dizendo:

 

Mo dúpè o!

 

A invocação é destinada a Òrúnmìlà, para que todo sacrifício que for oferecido durante ao dia seja satisfatório e  assim alcance seu propósito.

O sacerdote coloca dois ikins juntos aos búzios e conta os dezessei que sobaram dizendo:

 

A tun ke li asiwre iká owo re,

 

Contando novamente assim igual ao homem que reconta seu dinheiro.

À partir deste momento, o sacerdote louva seu iniciador ou Oluwo dizendo:

 

Ibá Oluwo,

 

Em respeito aos seus professores:

 

Ibá Ojugbona,

 

Finalmente o sacerdote coloca os ikins de volta ao recipiente divinatório compreendendo que sua palavra enquanto sozinha, não afasta o sacerdote de sua casa, uma palavra apenas não afasta o dono da casa, expressando assim que o sacerdote não irá sofrer castigo caso tenha se esquecido de homenagear alguma divindade, só assim ele esta pronto para realizar qualquer consulta ao longo do dia.

 

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O significado do Adùrá que Temos que fazer a Òrúnmìlà (Parte II)

Òrúnmìlà – Ifá e Elà compreendendo o Nome e suas formas:

(parte II)

 

Ifá também é reconhecido como escriba, ou seja, escrivão ou ainda, aquele que escreve livros (Akowe, a-ke-iwe), Ifá ensinou a escrita as divindades e ensinou os sacerdotes a escreverem suas insígnias nos tabuleiros divinatórios. Em Ijesa, Ifa é reconhecido como erudito (Solá- Awuye), em referencia a todo seu conhecimento e sabedoria assim demonstrados nos versos literários de Ifá, na qualidade de intérprete (Agbonfo) o intermediário entre os dois mundos. Em Oyo, também é reconhecido como um grande intérprete (Onitumo), aquele que traduz e explica, ou ainda, aquele que traz o conhecimento (Onitumo gbodegboyo), Olorun deu lhe o poder de conversar com as divindades e transmitir esse dialogo aos seres humanos por intermédio do oráculo sagrado de Ifá, transmitindo assim os desejos de sacrifícios e prevenção aos seus discípulos ou para uma comunidade. Embora Ifá prestar este serviço as divindades ele não é um servidor delas, pelo contrário é o mais sábio entre todas as criaturas entre o céu e a terra, segundo a própria filosofia literária de Ifá, ele é o pai de todas as divindades exceto Olorun.

Fato este descrito no Itòn do Odù Ofun-Ogundá, que também comprova que Ifá é o grande inventor da escrita, este odù não só traz esta afirmação como também em sua narrativa nos revela como os cristãos vieram a usar calças cumpridas e o motivo do porque os Olowo vieram a ter um tufo de cabelo em suas cabeças.

Agbongbon, que nos recitou este Itòn, nos explicou que Olorun é igualmente conhecido como Ajalorun (Aja-li-orún) ou Espírito do Céu, porque foi lá que ele nasceu.

Olorun é o mais velho entre as divindades e o primeiro filho do Obá Orufi, rei do ar, ao se passar quarenta anos Oba Orufi teve seu segundo filho, Elà, considerado até os dias atuais como o patrono dos adivinhadores.

Logo pela manhã, todos os homens brancos costumavam a obter filhos Africanos, os sacerdotes, reuniam-se em volta para ver o cerimonial e memorizar os cânticos de batismo e os versos da disporá Yoruba, assim aprendendo seus mistérios.

Ifá os ensinou a escreverem em seus tabuleiros divinatórios nos quais foram copiados por Mouros (mulçumano) criando o Wala, fato ocorrido igualmente aos cristãos em realizarem algo parecido com o que se temos hoje que chamamos de lousa.

 

 

 

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O significado do Adùrá que Temos que fazer a Òrúnmìlà

Todos nós devemos ficar nos perguntando o porquê fazemos louvores a Òrúnmìlà e qual a razão ou significado disso? Pois bem, tentarei demonstrar aqui verso a verso, o sentido de nossas devoções.

Antes da primeira consulta do dia, todo sacerdote tem que realizar seu curso diário de preces e louvores a Òrúnmìlà e aos òrìsà, enquanto tudo está sendo arrumado para receber os consulentes de forma favorável aos olhos e ouvidos de Ifá – Òrúnmìlà. É de primordial saber a forma correta de se iniciar a preparação do dia no Ile-Ifá e seus preliminares, que só é realizado ao iniciar do de cada dia, no qual o verso adequado ao consulente nos é revelado por Ifá.

Pois bem, o dia se inicia com o sacerdote senta-se em uma estreira, com seu opon á sua frente, espalha yerosun sobre o opon, e coloca seus instrumentos divinatórios a sua frente e ao centro do tabuleiro, os igbo são colocados ao lado direito do sacerdote, dois potes de búzios juntamente com seus ikins são colocados a sua frente.

O sacerdote retira os ikins do recipiente e em seguida os ergue com suas mãos soprando gim nos ikins dizendo:

Ifá ji o Òrúnmìlà, bi o ló l’oko, ki o wa’le o;

Bi o ló l’odo, ki o wa ‘le o, bi o ló l’ode, ki o wa’le o,

Que quer dizer:

Ifá acorde, Oh Òrúnmìlà, se você esta indo a fazenda, você deve vir para casa, se esta indo para o rio, você deve vir para casa, se você esta indo caçar, voe deve vir para casa.

Esta parte de seu louvor consiste para que Ifá supervisione todo o ritual a seguir e traga o verdadeiro odù que iniciará o dia.

Feito isso então o sacerdote coloca os ikins de volta ao recipiente divinatório à esquerda do opon dizendo:

Mo fi ese re te le bayi, mo fi ese re te ori eni bayi,

Mo gbe o ke l’ori eni, ki o Le gbe mi ka l’ori eni titi lai,

Mo gbe o ka l’ori opon Ifá, Ki o Le gbe mi ka l’ori opon Ifá titi lai.

 

Este verso nos quer dizer:

Eu coloco ao chão e aperto assim,eu então coloco-o a esteira assim, eu o carrego para esteira, assim você pode me colocar para sentar na esteira também.

Colocando os ikins sobre orecipiente divinatório e ao centro do opon dizendo:

Desde dos tempos antigos Ifa é colocado ao centro do opon Ifá, deste modo você pode me colocar ao centro do opon ifá para sempre,

Esse adùrá é por vida longa, seguido de outros por filhos e dinheiro. A seguir o sacerdote risca em sentido horário no yerosun ao redor do opon dizendo:

 

Mo ko Le yi o ka, ki o Le ko Le mi ka,

ki o Le jeki omo yi mi ka,ki o Le jeki owo yi mi ka,

Mo juba o, Mo juba o, Iba’se o,

Ile mo juba o, Iba’se

 

Eu construo uma casa ao seu redor, assim como você constrói uma casa ao meu, você traz filhos ao meu redor, assim como faz o dinheiro ficar ao meu redor, Trago meus olhos abaixados, trago meus olhos abaixados, eu saúdo sua força, trago meus olhos abaixados em sua casa para saudar a sua força.

E neste momento o sacerdote faz um traço no opon dizendo:

 

Mo lonan fun o tororo, Ki o Le lonan fun mi tororo,

Ki o Le jeki omo to ona yi wa s’odo mi,

Ki o Le jeki owo to ona yi wa s’odo mi

 

Eu abro caminho para você, assim você pode abrir o cminho para mim, assim você pode deixar as crianças me encontrarem, assim você pode deixar com que o dinheiro me encontre.

Em seguida com seu Irukere-Ifá ele remove o traço dizendo:

 

Mo se ile bayi,

Mo se opon bayi

Eu faço o chão assim, eu faço o prato assim.

Batendo no opon-Ifá com seu Iròké-Ifá o sacerdote recita:

 

A gun se o, a gun se,

Bi  Akolo gun ori igi a n se,

A gun se o, a gun se,

Bi Agbe ji a ma se,

A gun se o, a gun se,

Bi Aluko ji a ma se

A gun se o, a gun se,

 

Subir e revelar, se o cinzento pica-pau sobe o topo de uma arvore, ele vai revelar, subir e revelar, se o pássaro Agbe despertar ele irá revelar, subir e revelar,  se o Aluko despertar ele ira revelar, subir e revelar.

Prosseguindo assim saudando a Èsù, Ògún, Òsùn, Sàngó, entre outras divindades entre os vivos e os mortos:

 

Èsù láròyé ibá,

Ògún  se Ibá,

Òsùn a ma se Ibá o,

Sàngó Ibá e ibá o,

Obá àiyé ati Oòrún,

Ibá yin o!

Ile ibá e o!

 

Finalizando o sacerdote recita:

 

Òrúnmìlà bo ru, Òrúnmìlà bo ye, Òrúnmìlà bo sise:

Que quer dizer, eu ofereço o sacrifício, e o sacrifício foi satisfatório, o sacrifício vem para nos salvar.

Batendo com as mãos o sacerdote agradece dizendo:

 

Mo dúpè o!

 

A invocação é destinada a Òrúnmìlà, para que todo sacrifício que for oferecido durante ao dia seja satisfatório e  assim alcance seu propósito.

O sacerdote coloca dois ikins juntos aos búzios e conta os dezessei que sobaram dizendo:

 

A tun ke li asiwre iká owo re,

 

Contando novamente assim igual ao homem que reconta seu dinheiro.

À partir deste momento, o sacerdote louva seu iniciador ou Oluwo dizendo:

 

Ibá Oluwo,

 

Em respeito aos seus professores:

 

Ibá Ojugbona,

 

Finalmente o sacerdote coloca os ikins de volta ao recipiente divinatório compreendendo que sua palavra enquanto sozinha, não afasta o sacerdote de sua casa, uma palavra apenas não afasta o dono da casa, expressando assim que o sacerdote não irá sofrer castigo caso tenha se esquecido de homenagear alguma divindade, só assim ele esta pronto para realizar qualquer consulta ao longo do dia.

 

 

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